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Manifesto 7

 Março, 2017

"...Olhando para a realidade de hoje, nós, temos uma revolução em vários domínios, tecnológicos, económicos, sociais, que deixam para trás camadas da população...Temos uma realidade que permite ecoar de forma mais vasta aquilo que eram fenómenos individualizados".

"...Depois, temos os desajustamentos dos sistemas de partidos, porque esses partidos que queriam apanhar tudo, converteram-se em partidos de cartel. Precisam do poder para se perpetuar no poder".
"...Perderam doutrina, perderam ideologia, aproximaram-se um dos outros...muitos partidos não perceberam isso e por não terem percebido, os partidos descolaram da realidade”.
"...Qual a solução? A melhor maneira de enfrentar este fenómeno não é negá-lo, não é olhar para ele e rotulá-lo apenas, é preciso olhar para as causas e ver o que se pode fazer nas causas para reduzir as hipóteses do seu aparecimento e crescimento ou, tendo crescido já, o que se pode e deve fazer em alternativa para o reduzir, limitar".
"...É evidente que houve fenómenos no sistema de partidos, nos sistemas de Governo, regime político, no funcionamento da democracia que tornaram apetecível este fenómeno...Some a isso, o direito e a política estão sempre atrasados em relação à economia, à ciência, à tecnologia, às finanças, sempre. As instituições estão ou descoladas da realidade ou muito atrasadas no lidar com os fenómenos", palavras do Ex.mo Senhor Presidente da República de Portugal. 

Matosinhos tem vivido, nos últimos anos, em águas politicas verdadeiramente agitadas.


As últimas eleições autárquicas em Matosinhos, foram disso exemplo, ao resultarem num conjunto de opções que contribuiram para uma desagregação do capital politico histórico de Matosinhos. 
Não obstante, a intervenção da Distrital do Ps/Porto, nestas eleições, configura uma atitude e uma vontade de agregação, de coesão e união. 


Ambição, interesse próprio ou necessidade, não terão espaço neste contexto.


Defendemos uma politica de proximidade com os cidadãos, em que os mesmos participem e tenham voz ativa nas decisões que poderão marcar as próximas décadas. O principal objectivo político do Manifesto 7 é fazer da intervenção ativa da comunidade a base fundamental da vida do município.


Da génese do Manifesto 7, surgem os seguintes princípios:


I. Unidos pela MEMÓRIA

Pretendemos um debate aberto a toda a comunidade socialista, e independente, que em união, afirmem a sua dimensão plural, a sua complementaridade e que capitalize as sinergias já existentes, no quadro da estrutura matricial que historicamente nos identifica e sempre nos uniu.


II. Unidos por VALORES
Acreditamos que mudanças em “continuidade” implicam decisões compartilhadas. É nesse âmbito que o M7 se manifesta disponível para provocar estes processos e afirmar o seu comprometimento, valorizando-se, assim, as pessoas, enriquecendo-se a vida comunitária e atribuindo-se maior sustentabilidade aos momentos de eleição e de escolha dos nossos representantes.

III. Unidos pelo FUTURO
Pretendemos criar espaços de exercício de cidadania contribuindo para o que definimos como "princípios estruturantes de democracia participativa, de toda a comunidade na vida municipal", comunidade que tem "o direito e o dever de participar nos momentos essenciais de definição da vida política".


IV. Fortes no CARÁCTER, RIGOR, COMPROMISSO
Desejamos uma discussão aberta, plural e transparente, que seja construtiva e resulte num futuro processo eleitoral mais vivo e participado e rejeitamos a posição de "quem não está connosco está contra nós", pois entendemos que debater o futuro não é um acto de hostilidade contra ninguém, mas uma exigência de cidadania.


Esperamos que se reveja nestes princípios, e por isso o convidamos a participar, sendo signatário do Manifesto 7.

Pretendemos que este manifesto seja também seu.

O Manifesto 7 disponibiliza a sua reflexão inicial sobre um conjunto de temáticas que entende serem fundamentais debater, com todos e com cada um em particular, para que possamos construir, num espírito de coesão, ao mesmo tempo inconformado e crítico,  um futuro melhor. 


Pensar Social

Consideramos que as políticas atuais de intervenção nesta área estão na sua maioria desajustadas, senão obsoletas, e necessitam de ser repensadas. É urgente criar através das ferramentas já disponíveis novas sinergias e novos modelos de ação e gestão. O “assistencialismo”, transversal a todas as políticas de ação social, tem provocado, em nosso entendimento, demasiadas dependências a médio e longo prazo. Uma visão integrada da realidade do território é obrigatória e, poderá constituir um ponto de partida para o desenho de um modelo transversal inovador, mais eficiente e mais inclusivo.


Pensar Cultura

A manifestação e expressão cultural, quer seja considerada mais erudita ou mais popular deve ser alvo de um planeamento estratégico a médio e longo prazo, o qual deve ser equitativamente aplicado ao Município. O design, a arquitetura, as artes e ofícios tradicionais, as artes performativas, a música e outras artes e expressões populares devem ser elementos fundadores do pensamento e ação politica que levem à inclusão e coesão cultural do território. Reconhecer a sua importância e a necessidade da sua constante manutenção, através de intervenções que tornem possível a construção de um património humano intergeracional, é capacitar o potencial coletivo para uma mudança estrutural na forma como vivemos, sentimos e comunicamos a nossa terra, a nossa identidade. Os últimos anos consolidaram a urbe a este nível. Alargar o espaço de intervenção cultural a todo o território de forma equitativa, é uma oportunidade que não devemos deixar de discutir.


Pensar Desporto

A grande vitalidade que se regista, no âmbito do desporto, nas freguesias em Matosinhos, é fruto do trabalho de parceria entre o município e os respetivos Clubes e Associações. A existência de um vasto leque de modalidades ativas que passam pelo Andebol, Basquetebol, Atletismo, Hóquei, Futsal, Pesca Desportiva, Bilhar, Natação, Futebol, Dança, ou até Hipismo, é disso indicador. Se a este fator ainda acrescentarmos os vários equipamentos desportivos existentes, e a sua qualidade, acreditamos que estão reunidas as condições para a ampliação da rede de desporto, ao desporto feminino, ao desporto sénior e ao desporto adaptado. Consideramos ser este momento para agir e criar os mecanismos políticos para esta ampliação.

Pensar Qualidade de Vida, Transportes e Mobilidade

As condições que contribuem para o bem estar físico e espiritual dos indivíduos é uma preocupação atual das nossas sociedades. Segundo a OMS a qualidade de vida é “a perceção que um indivíduo tem sobre a sua posição na vida, dentro do contexto dos sistemas de cultura e valores nos quais está inserido e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”. O município ao longo das últimas décadas tem tido significativos avanços neste domínio, e tem conseguido acompanhar as boas práticas políticas nesta área, embora ainda não se tenha atingido um padrão de homogeneização transversal a todo o território. Num ambiente cada vez mais complexo, mutável e competitivo, é imperativo procurar manter e aumentar a capacidade de mobilizar recursos para atingir a plenitude do padrão de qualidade de vida em todo o Município, é um desafio que não deve ser deixado para ser só pensado por um executivo. Cabe a todos pensar por cada um de nós.

Só uma rede de transportes eficaz, pode criar uniões de freguesia e um concelho inclusivo, verdadeiramente unido, potenciador de gerar qualidade de vida, e atrair novos investimentos. Incrementar a qualidade do serviço de transporte, bem como uma gestão mais eficaz dos itinerários, são dois fatores fundamentais para alcançar a inclusão municipal nesta matéria. Ouvir com clareza e interessadamente os cidadãos que conhecem como ninguém a geografia e as dificuldades diárias de mobilidade que enfrentam, é uma oportunidade que tem que ser criada pelos governantes. Não devemos desperdiçar a oportunidade de olhar para o território como um todo.


Pensar Turismo
O turismo é o sector de atividade com maior taxa de crescimento no nosso país. É também reconhecidamente um meio importantíssimo na revitalização das nossas cidades. O Norte do concelho tem por natureza geográfica um potencial turístico ainda pouco explorado e que necessita de ser alvo de qualificação. A qualidade da nossa orla costeira e da história que a acompanha, o património edificado agregado por uma cultura do saber pensar e fazer - atuante sobre o mar e sobre a terra, configura um território heterogéneo inovador, que se tem sabido renovar e que necessita que o poder politico o encare como um investimento, e que não o impeça de ser um veículo privilegiado na atração de investimento neste domínio.


Pensar Emprego e Empreendedorismo

“O desemprego, e sobretudo a tendência de crescimento acelerado que se registou nos últimos anos, constitui um dos fatores mais marcantes da realidade social do país, à qual o Concelho de Matosinhos não é exceção.” in http://www.cm-matosinhos.pt/pages/120 

 Estimular a criação de emprego através de uma maior valorização e capacitação do empreendedorismo assente na dinâmica local e incorporar o conhecimento na criação e ampliação dos negócios será certamente uma alavanca para a empregabilidade dos desempregados, e um ponto fundamental na estruturação de politicas de emprego a nível local. Potenciar a indústria e o tecido empresarial tradicional, e que fizeram da nossa terra aquilo que é hoje, através de uma visão integrada da região, em articulação com uma nova geração de empreendedores e de negócios. As indústrias criativas, neste contexto poderão assumir um papel determinante no desenvolvimento e diversificação da economia da região. Que ferramentas, que competências e que conhecimentos queremos na nossa terra? Como potenciar a economia e o saber local em negócios actuais? Que tipo de emprego, empresas e economia queremos no futuro? Pensar e debater estas questões é certamente fundamental para sabermos qual o caminho que queremos trilhar.


Pensar Educação

A educação (de qualidade) é um dos pilares de sustentação de qualquer sociedade. O Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, propõe quatro pilares fundamentais: aprender a conhecer (adquirir instrumentos de compreensão), aprender a fazer (para poder agir sobre o meio envolvente), aprender a viver/estar juntos (cooperação com os outros em todas as atividades humanas), e finalmente aprender a ser (conceito principal que integra todos os anteriores). De acordo com a UNESCO a educação também é exercida para além do ambiente formal das escolas e adentra em outras perspetivas caracterizadas como educação informal. A educação informal, como aquela ocorrida nos processos quotidianos sociais, tais como na família, no trabalho, nos círculos sociais e afetivos, é também fundamental. A comunicação das iniciativas existentes ou futuras para a construção de novos modelos de educação, que preparem os nossos jovens para o futuro e apostem na formação ao longo da vida é um imperativo. Como promover um maior reconhecimento do ensino e dos seus agentes? Como modernizar os modelos e os instrumentos de aprendizagem? Estas são questões fundamentais que devem ser alvo de reflexão conjunta e ação participada.


Pensar o futuro de um município é uma tarefa complexa, exigente e que requer a participação e o envolvimento de todos, porque configura uma rede de interação multi-modal que congrega pessoas, equipamentos e contexto.

Pensar e desenhar o contexto é o direito e o dever de cada um. Participe, envolva-se, decida.